Jaemor Farms in Alto, Georgia

Os Frutos da Grande Árvore

Há muito tempo, vivia um povo que se alimentava dos frutos de uma grande árvore.

Eles esperavam ansiosamente pela árvore começar a dar seus frutos e logo que eles nasciam, colhiam para se alimentar.

E assim era a vida. Eles esperavam pelo período do ano em que a árvore lhes provesse o sustento, colhiam tudo que podiam e armazenavam para o período de escassez.

Um jovem, certa vez, começou a questionar este modo de viver. Algo dentro dele lhe dizia que se esperassem um pouco mais para colher, o fruto ficaria maior, mais saboroso e mais nutritivo.

Começou a dividir esses questionamentos, mas por todos era ridicularizado. Diziam que não fazia sentido e que o povo não poderia se dar ao luxo de esperar mais tempo. Tinham que colher logo que o fruto aparecesse na árvore.

Ele então passou a duvidar de si mesmo e achar que ele estava errado de pensar assim.

Mas aquela sensação interna jamais desaparecia.

Um dia, cansado de lutar contra o que sentia, decidiu deixar aquele povoado. Colocou alguns dos verdes frutos da estação anterior na bolsa e saiu caminhando.

Caminhou por dias e dias. Nada encontrou.

Quando já estava quase desistindo dessa jornada, com muita vontade de voltar para casa, avistou uma grande árvore da mesma espécie que alimentava seu povo.

A árvore estava carregada de frutos, da mesma cor e do mesmo tamanho que eles costumavam comer. Seu primeiro impulso foi de saciar sua fome colhendo o que estava na árvore.

Mas aí aquela mesmo palpite que dizia que era possível esperar, reapareceu. Resolveu esperar para ver o que acontecia com os frutos se não os colhesse naquele momento.

Passou dias jejuando e meditando embaixo da árvore.

Um dia, depois de acessar um profundo estado de meditação, foi despertado com uma pancada na cabeça. Era um dos frutos da árvore.

Para sua surpresa, quando foi recolher o que havia caído, viu que o fruto estava com uma cor incrivelmente reluzente. Era muito mais colorido. E também muito maior.

Assim que deu a primeira mordida no fruto, foi inundado com uma explosão de sabor. Sentiu uma eletricidade percorrer seu corpo inteiro.

Então era verdade.

Bastava que esperassem um pouco mais para que o fruto ganhasse tamanho, cor e sabor.

Mas como saberia quando era hora de colher?

“A fruta quando está madura cai do pé”. Aquela mesma voz deu essa resposta.

Era isso. Era apenas esperar que a fruta ficasse madura e caísse do pé. Sentiu a alegria que acompanha o entendimento.

Passou alguns dias desfrutando dessa descoberta e percebeu os efeitos no seu corpo físico. Foi ficando mais forte, mais bonito e seus pensamentos também pareciam estar mais afiados.

Aprendeu que as sementes desse fruto, se colocadas no solo davam outras árvores iguais àquela.

Saía para explorar a região em busca de novos frutos e de conhecer novas árvores.

Seus experimentos o faziam se sentir vivo e abençoado pela natureza. Isso lhe ajudava a minimizar os sentimentos de solidão que de vez em quando lhe perturbavam.

Desevolveu a paciência de esperar novas árvores crescerem. E assim, depois de alguns anos criou sua própria floresta com uma abundância que jamais imaginava ser possível.

Então decidiu que era hora de voltar para seu povo e mostrar o que havia descoberto.

Encheu sua sacola com os melhores e mais bonitos frutos e voltou.

Compartilhou dos frutos com seus irmãos. E agora, que eles podiam provar por si mesmos o sabor e sentir o efeito em seu próprio corpo, ele deixou de ser ridicularizado.

Pelo contrário. Decidiram todos que iriam acompanhá-lo numa viagem em direção à floresta que havia plantado. Iriam aprender e replicar estes conceitos para a prosperidade do próprio povo.

E assim foi.